Gosto muito de alguns desenhos do Cartoon Network. A maioria daqueles desenhos tem referências tão adultas que os pequenos perdem quase 100% da graça às vezes, mas os adultos podem se divertir horrores.
Mas também tenho que reconhecer as péssimas influências que eles exercem sobre as crianças. É um festival de valores morais dúbios e equivocados, que caem como uma luva nos tempos atuais, onde ninguém dá valor a mais nada.
O Ben 10, por exemplo, o herói mais badalado do momento, é um verdadeiro terror.
É burro (e se orgulha disso), comete as maiores besteiras se achando o maioral só porque tem o relógio que o transforma nos alienígenas, usa seus poderes da forma mais leviana e irresponsável possível, desobedece seu avô, desrespeita sua prima (alvo preferido de suas brincadeiras de mau gosto) e só vence no final por puro acaso ou desejo do roteirista.
Mas o pior de tudo: ele não estuda. Ele odeia ir para a escola e detesta livros ou qualquer tipo de leitura. Fica rodando o país no furgão junto com seu avô e prima, sem ir para a escola. Num dos episódios, o vilão prende sua mente em seu pior pesadelo: a escola.
Tudo bem, é ficção, dirão alguns, mas o que me assusta é que essa é a ficção padrão americana, onde as crianças nos desenhos são sempre burras ou malandras e detestam a escola. Ser estudioso é ser nerd, CDF, e isso é sempre motivo de chacota nos desenhos "made in EUA".
Não deve ser à toa que, como já disse Carl Sagan (ler "O mundo assombrado pelos demônios"), os EUA estão emburrecendo ("Stupid White Man"?).
Nem vou entrar no mérito de falar do Billy (de "As terríveis aventuras de Billy e Mandy"), que gostaria de ter dois narizes para ter mais um lugar de onde tirar meleca, ou do comercial do toque de celular com som de peido...
Diante do quadro tenebroso, resolvi mostrar o outro lado da moeda (ou do planeta): baixei e viciei o guri no Digimon.
O Digimon veio na esteira de Pokemon, com o intuito de vender brinquedos e games, claro, como quase toda a animação feita no Japão. Mas apesar disso, os valores culturais deles estão sempre lá, de forma mais ou menos explícita. Mas diferente do seu clone, eu gosto muito mais do Digimon, e vou dizer o porquê.
Como toda boa história, Digimon tem início, meio e fim, continuidade, evolução e reflexão. As crianças se desentendem e ao final compreendem que somente juntos podem resolver os problemas, e que brigar não resolve nada. Quem é medroso, egoísta ou arrogante aprende a ter coragem, generosidade e humildade.
A continuidade exerce papel importante nessa evolução, pois um episódio tem continuação e teve um prévio, como numa novela, não existindo episódios isolados ou independentes, gerando o interesse contínuo (tem até resumo do episódio anterior e "cenas do próximo capítulo").
Todas as crianças, ao se apresentarem aos outros, dizem em que escola e série estudam, demonstrando orgulho por estudar e a importância da escola em suas vidas. Um dos meninos inclusive, sente saudades da escola e de fazer sua lição de casa em seu quarto.
Tem também um irmão mais velho que se preocupa e faz de tudo para ajudar e proteger seu irmão mais novo, mesmo eles sendo filhos de pais separados e que não vivem juntos.
Alguns liberais podem torcer o nariz por isso, alegando ser uma forma de forçar conceitos, quase uma lavagem cerebral. Mas eu pergunto: educa-se uma criança para quê? Para agir de forma positiva na sociedade ou para agir como quiser para que a sociedade lhe dê o que quer, quando quer e na forma que quer?
E um desenho que mostre inconseqüência, irresponsabilidade, falta de educação e desrespeito pelos outros, também não está passando seus valores, usando a sedução do mais fácil, do mais rápido, do mais engraçado?
Entre os dois extremos, qual seria o mais positivo para a manutenção da sociedade onde todos nós vivemos?
Bom, pelo que tenho visto, a maioria prefere o "estilo Cartoon de ser" ("A gente faz o que quer", segundo a nova campanha publicitária do canal).
Mas eu sou brasileiro (para meu desgosto), e não desisto nunca!
Blog sobre meus projetos, planos e desabafos.
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Novidade: Novo projeto de reuso de água
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2 de abr. de 2008
21 de jan. de 2008
Harry Potter
Tenho que confessar que eu nunca fui muito fã (na verdade, nada fã. Muito pelo contrário!) das desventuras do bruxinho inglês. Sempre achei aquelas histórias meio infantilóides e escapistas ao extremo, o que de pronto me afastou dos livros e por conseqüência dos filmes.
Nada contra ficção escapista, mas achei a reciclagem dos conceitos de bruxos bonzinhos, varinhas de condão e vassouras voadoras muito pobre e tola. Deve-se a isso também o meu total desprezo pelo gênero.
Mas dei uma chance aos filmes, pelos nomes envolvidos na produção e também por algumas críticas positivas, em especial a partir do terceiro filme.
Os dois primeiros são bonitinhos até, leves e descompromissados, dá pra assistir com o filhote sem problema, apesar de um ou outro susto e medo. Mas a partir do terceiro, há mais elementos sinistros e assustadores (até a fotografia do filme, bem mais escuros que os demais, ajuda nisso), e tive que isentar o guri de assisti-lo.
O problema é que a pouca simpatia que comecei a nutrir pela autora e pela obra como um todo ruiu neste terceiro filme, justamente por este capítulo trazer à tona alguns elementos que, se auxiliam no fator diversão e drama, por outro lado abrem espaço para fissuras no universo mágico, já tão fantasioso, complexo e emaranhado. Alguns desses elementos chegam a ser um atentado contra a inteligência do leitor e/ou espectador. Vamos a eles:
SPOILER: FIQUE AVISADO DE QUE A PARTIR DAQUI, O TEXTO PODE ESTRAGAR SURPRESAS DO FILME E DA SÉRIE!
Desse jeito, o final mais correto para a saga de Harry Potter seria ele acordando e percebendo que tudo foi um sonho (sonhos não precisam de coerência, certo?), provavelmente sua forma de escapar à cruel realidade em que vive, morando com tios perversos após a morte de seus pais.
É, acho que eu tinha razão em não querer me enveredar pelos livros e filmes dessa série...
Nada contra ficção escapista, mas achei a reciclagem dos conceitos de bruxos bonzinhos, varinhas de condão e vassouras voadoras muito pobre e tola. Deve-se a isso também o meu total desprezo pelo gênero.
Mas dei uma chance aos filmes, pelos nomes envolvidos na produção e também por algumas críticas positivas, em especial a partir do terceiro filme.
Os dois primeiros são bonitinhos até, leves e descompromissados, dá pra assistir com o filhote sem problema, apesar de um ou outro susto e medo. Mas a partir do terceiro, há mais elementos sinistros e assustadores (até a fotografia do filme, bem mais escuros que os demais, ajuda nisso), e tive que isentar o guri de assisti-lo.
O problema é que a pouca simpatia que comecei a nutrir pela autora e pela obra como um todo ruiu neste terceiro filme, justamente por este capítulo trazer à tona alguns elementos que, se auxiliam no fator diversão e drama, por outro lado abrem espaço para fissuras no universo mágico, já tão fantasioso, complexo e emaranhado. Alguns desses elementos chegam a ser um atentado contra a inteligência do leitor e/ou espectador. Vamos a eles:
SPOILER: FIQUE AVISADO DE QUE A PARTIR DAQUI, O TEXTO PODE ESTRAGAR SURPRESAS DO FILME E DA SÉRIE!
- Viagem no tempo. Clichê absoluto no cinema, o filme se utiliza da viagem do tempo para resolver todos os problemas (Tá chato? Tá ruim? Fez cagada? Volta no tempo e conserta tudo!), e saca o famoso paradoxo circular "passado gerando futuro que gera passado" (o viajante do tempo que salva ele mesmo, e provoca os eventos do passado que construiram seu futuro). A viagem no tempo usada no filme é tão tola que só se justifica como um desejo da autora de explorar o tema (o que fez de forma bem primária, diga-se de passagem). E se uma estudante de magia chinfrim como a Hermione (Emma Watson) pode ter acesso a viagens no tempo (só para poder frequentar aulas que ocorrem no mesmo horário, dããã!), que dirá magos mais poderosos e sábios (mesmo os maléficos). Já pensou a bagunça? Valdemort voltando no tempo e matando Dumbledore jovem e os pais de Harry Potter antes de ele nascer? Harry voltando no tempo e impedindo a morte de seus pais? Ou o nascimento do próprio Valdemort? É fácil perceber como o uso de um recurso tão poderoso torna aquele universo incoerente, mas mesmo assim, o recurso é usado sem a menor conseqüência.
- Prisão de inocentes. Com tantos recursos à disposição (incluindo a já citada viagem no tempo), como vidência, chapéus que lêem pensamentos, magias de todo tipo (para forçar a dizer a verdade), sucos e poções de vários tipos (porque não um soro da verdade?), como é admissível que Sirius Black tenha sido preso em Azkhaban por doze anos, mesmo sendo inocente? É uma forma segura de destruir a coerência do universo de magia de Harry Potter.
Desse jeito, o final mais correto para a saga de Harry Potter seria ele acordando e percebendo que tudo foi um sonho (sonhos não precisam de coerência, certo?), provavelmente sua forma de escapar à cruel realidade em que vive, morando com tios perversos após a morte de seus pais.
É, acho que eu tinha razão em não querer me enveredar pelos livros e filmes dessa série...
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